Esse negócio de sair só p/ observar as pessoas é realmente interessante. Fiz isso ontem, só porque ainda tava de ressaca da noitada anterior e me diverti do mesmo jeito, mesmo sem dançar, fumar e beber.
Pelourinho, Praça Pedro Arcanjo, noite de forró em homenagem ao mestre Luiz Gonzaga. Na hora q cheguei, o salão estava meio vazio, mas não demorou muito a encher. Sentada próximo ao palco e as caixas de som, deu para ter uma visão privilegiada dos casais dançando forró. O primeiro casal que me chamou a atenção era composto por um rapaz baixo, magro e com sandálias de couro. O jeito q ele conduzia sua parceira era mágico, suave. Ela também o ajudava, pareciam ter ensaiado, dançavam muito bem, além de terem a sintonia de um casal de namorados.
Claro que ontem não foi meu primeiro forró. Sou do interior, desde pequena convivo com as pessoas “dançando”, mas ontem eu consegui enxergar e entender um pouco essa real paixão pelo forró. A gente sabe que existe toda uma sensualidade, uma tradição, uma história no ritmo, mas percebi que algumas pessoas dançam forró por pura paixão mesmo. Percebi que elas vão àquele tipo de festa pelo prazer da dança, do ritmo e que dançar forró é um estilo de vida. Posso estar enganada, mas reparei que os casais que mais sabiam dançar, dançar mesmo, não tô falando do tradicional “dois pra lá, dois pra cá” que a gente sabe fazer, estavam vestidos bem parecidos: os homens de chinelo de couro e as mulheres de sapatilha e roupas leves, facilitando o movimento e a sensualidade natural da dança.
O outro casal que despertou minha atenção tinha um rapaz com “cara de cdf”, de óculos e aparelho ortodôntico. Sabe quando você olha uma pessoa e se identifica? Pois é, me identifiquei com ele, achei-o com cara de “rapaz boa praça”. Se eu não tivesse tão “ressaqueada”, pediria para tentar dançar um pouco. Ele tinha uma habilidade nas pernas que prendeu minha atenção. Dançava forró, bebia água e aguardava a próxima atração. Senti que aquele ritmo é a paixão dele. Tem cara de quem não sai muito, de quem só sai quando tem um bom forró ou quando marca para conhecer outros amigos forrozeiros.
Se não fosse o horário do buzu, com certeza teria presenciado inúmeros e envolventes passos de forró ontem. Aquela saída me ajudou a perceber que realmente a gente não precisa de muita coisa para se divertir numa noite. Longa vida ao forró!
sábado, 13 de dezembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Olá Beta!
ResponderExcluirAdorei!!! vc arrasou... como sempre. Gostei muito desse olhar crítico de perceber as coisas.
Bjs,
Do seu amigo
Lúcio Oliveira